EVENING IN SPACE


Existem alguns seres que não se revêem inteiramente na espécie humana. Eu faço parte deles tal como Daphne Guinness. No seu mais recente vídeo com o selo da SHOWstudio dirigido por David LaChapelle para a música "Evening in Space" que constará no seu primeiro álbum a ser lançado em Setembro é bem evidente "esse pertencer a uma espécie inexistente" que se exprime no limiar do cósmico e extraterrestre, ou seja na fronteira do inhumano. Não é o simples futurismo é algo que transcende os avatares de uma identidade contida no visceral da realidade da sociedade, para se revelar inventiva e extremamente criativa na esfera da intimidade. As roupas são o eco dessa superação da convenção. Uma sonata no espaço, um copular outro, fendas que se abrem na nossa zona de conforto. Um ritual de passagem para uma outra dimensão em vias de ser descoberta...

SHADOW TRANCE

Se tivesse que ajustar a minha sombra sempre que saísse à rua, certamente entraria em transe. Todos os pontos alinhados embora os botões da camisa estivessem desabotoados. As meias curtas ajudaram a criar a ilusão do efeito de prolongamento das calças em cabedal roxo. O padrão da camisa confunde-se com as flores da vegetação. Os ramos entrelaçados com os braços desengonçados. Não sei se sou um fantasma que vivo entre os humanos, ou um humano que só se sente bem entre fantasmas que andem à procura das suas próprias sombras. Os óculos como sempre ocultam a alma. O que me olha a sombreado, o rosto inaudito enevoado. A nervura trémula do pensamento e as roupas que servem apenas para proteger o esqueleto enfeitiçado.

!NSPIRAÇÃO:AGOSTO



Um não pode haver voos tudo tido tolo fica. Um assim trote ou as bolas em xarope. Vaia rua arma cujo bom fiel haja alas hão. Sem uns risonhos enviados injusto no véu. Mandar trinta odiosa no provar aí. 
[Texto gerado a partir disto]

A gosto flutua precisamente nessa conjugação do "provar aí", experimentar outrora aquilo que todavia ainda não descobri. Não é tentar forçar até quebrar e estatelar no chão o xarope da felicidade. É esconder as bolas de sabão num lugar recôndito e dançar na escuridão expulsando os fantasmas espirituais. Erradicar o dispensável e irradiar o indispensável, soprar em moção zero, e pedir ao tempo para estagnar. Estático permanecer no meio da multidão até o suor começar pelos poros abaixo a escorrer. O ritmo que arde nos neurónios e ajuda a combater o medo. O equilíbrio de uma ordem caótica de movimentos cíclicos e pendulares. O Virtualismo que surge como uma demanda pelas respostas às perguntas que procuramos evitar. As teias que se emaranham nas paredes de casa, e nos tectos do cérebro em efervescência. Do caos à ordem, ou do paraíso na era da globalização. Inquietações, divagações. Suspensas em transe, numa maré de alusivas deambulações.

FESTIVAL SINSAL











Desde já agradecer ao Desconcierto, que através de um passatempo que ganhei, permitiram o meu acesso ao Festival Sinsal 12, patrocinado pela marca de cerveja galega, Estrella Galicia. Consegui ver uma das bandas caóticas e espampanantes que dei a conhecer cá no blogue ainda em Maio, os argentinos Frikstailers. Além disso nunca tinha estado nas ilhas em redor da cidade de Vigo, e muito menos num cenário tão idílico para um festival alternativo, com a lotação máxima de 700 pessoas. Toda a ideia me pareceu deliciosa e apelativa, e fiquei tão entusiasmado quando soube que tinha ganhado, era talvez o dia que precisava para animar o meu verão, depois de saber que conclui com sucesso mais uma etapa do meu percurso académico. Soube bem clicar no play no iPod enquanto ia sentado na parte superior da embarcação que levou as pessoas até à ilha. Percebi que a vida pode ser tudo aquilo que nós quisermos basta acreditarmos e lutarmos para isso. E apesar de me ter levantado cedo para apanhar comboio, pergunto-me quantas pessoas que já conduzem carro, terão conhecido alguns dos sítios mais extraordinários que eu já conheci, sem carro? Uma questão que afogo nas águas onde vários iates flutuavam em torno da ilha restrita. Passando à música propriamente dita, ia expectante em relação ao primeiro e ao último concertos, a harmonia em estado puro, de Throwing Shade e o caos em estado telúrico dos Frikstailers. A garota de Londres trouxe um set exótico perfeito, confiante, adorei vê-la a deambular pela ilha e a ir espreitar os outros concertos, uma vez que lhe coube a si abrir as hostes do festival. As perucas loucas não só colocaram balões com frases excitantes e smiles no ar, como deixaram os corpos num suor leitoso ao pôr-do-sol. Já Xenia Rubinos, radicada em Brooklyn, apresentou um vozeirão incrível, num registo musical similar ao de St. Vincent, só que mais latino e soul, uma agradável surpresa. O afro em modo hakuna matata de Jagwa Music aqueceu num ritmo alucinante os ânimos em San Simón, depois de extraídas as partículas progressivas e melosas dos espanhóis Oso Leone. Uma experiência com ou sem sal seguramente inolvidable.