!NSPIRAÇÃO:SETEMBRO

O que não dizer sobre Setembro. Cerrar as têmporas por um momento. E pedir licença para pestanejar. Não pensar. Deslizar os dedos no teclado como num corrupio na NOS D'Bandada. Levar a ler o virtualismo. Fechar a janela com a persiana incompleta observar a rua. As edições, os desfiles, os eventos, colocar de lado, intermitentes reticências. Pular do lado de fora, nunca saindo de dentro de casa. Ainda acolhido recolher-se no aconchego do umbigo moldado por acidente na parede. Trovejar em termos comportamentais indefinidos. Tal como indefinidamente colher plantas e introduzi-las em garrafas de vidro. Espalhá-las ordenadamente pelos lugares amenos. Decorar espectros inexpressivos, frases-feitas e viagens que o olhar deve fazer. Predicações alinhadas como as frinchas que se enfileiram e se misturam numa linha cintilante imaginária. Personagem que espreita no parapeito. Para o peito o alfinete que brilha no escuro. O cometa comandante de uma desordem invisível.

K IS K

K is the key!


Banco LA REDOUTE|Calças ZARA|Chinelos PRIMARK|T-Shirt KARL LAGERFELD

Novo apartamento, novo quarto, novo corte de cabelo, novos objectos, novos motivos de alegria, chaves de conforto e contentamento. A t-shirt do Karl Lagerfeld finalmente aparece num outfit, embora ainda não a tenha estreado socialmente, é tão especial requer um momento igualmente memorável. A chave que falo não é apenas o porta-chaves chique que a minha mana Chica me trouxe de Nova Iorque, onde guardo as chaves do novo apartamento no Porto, é também a chave infalível para o uniforme karlista, que requer preto pele e um apontamento extra, como umas luvas sem dedos, que também adquiri recentemente. Esse olhar para diante, deixar estalar o trinco da fechadura, abrir a porta à frescura do futuro. Foi tudo que quis retratar no post 590º.

DO MEDO DO LIMBO DO VIRTUALISMO

Setembro aproxima-se à velocidade da luz. E no agilizar de compras para o novo apartamento, nas leituras preliminares dos transeuntes, pergunto-me se alguém alguma vez terá pensado no conceito de virtualismo?
O que medeia a perversão individual para gerar o burburinho na esfera social. O que traria de positivo uma nova forma de pensamento alocada a esse vocábulo ainda em fase de maturação. Que paradigmas se alterariam, e que superficiais ataques seriam produzidos tanto de um lado como de outro. O desafogo intelectual levou-me a escolher um limbo não para eu mesmo me comprometer mas para eu meditar e tentar validar uma proposta alheia. Essa escolha assemelha-se às lâmpadas gigantes invertidas que servem como vasos que adquiri para efeitos decorativos. Como só a minha reflexão pudesse gerar o momento eureka e essas lâmpadas, que são vasos (e não vasilhames) girassem e quem sabe até acendessem. A luz que mais tarde ou mais cedo, se avistará ao fundo do túnel serviria de combustível iluminador da razão e motor da imaginação. Engrenagens turvas mas sempre indispensáveis em qualquer acto teórico. O medo nauseante nunca se ausenta completamente. Complementando as barreiras que é suposto transpor quanto mais não seja, abstractamente. Os quadrados vão-se afundando infinitamente à medida que o conhecimento vai avançado, o emaranhado da teia deixa de existir para dar lugar a um labirinto de dúvidas e divagações. Atravessar os diversos patamares, derivar, flutuar entre a estrada e a parede, retirar as devidas conclusões as coordenadas para finalmente chegar à porta do paraíso.


EVENING IN SPACE


Existem alguns seres que não se revêem inteiramente na espécie humana. Eu faço parte deles tal como Daphne Guinness. No seu mais recente vídeo com o selo da SHOWstudio dirigido por David LaChapelle para a música "Evening in Space" que constará no seu primeiro álbum a ser lançado em Setembro é bem evidente "esse pertencer a uma espécie inexistente" que se exprime no limiar do cósmico e extraterrestre, ou seja na fronteira do inhumano. Não é o simples futurismo é algo que transcende os avatares de uma identidade contida no visceral da realidade da sociedade, para se revelar inventiva e extremamente criativa na esfera da intimidade. As roupas são o eco dessa superação da convenção. Uma sonata no espaço, um copular outro, fendas que se abrem na nossa zona de conforto. Um ritual de passagem para uma outra dimensão em vias de ser descoberta...