PORTO FASHION WEEK

Fios tingidos.
Expositoras
Exibição dos filmes a concurso do Porto Fashion Film Festival no Modtissimo. A lista dos vencedores e os meus vencidos preferidos WARP e Double Trouble.
Exposição fotográfica "Captar Tendências na Cidade" no Modtissimo.
Algumas fotografias, a Casa da Música e uma alegre jarra na cabeça.
Folhas outonais.
Atelier-Ctrl, expositor no Modtissimo. 
E se de repente as vossas t-shirts alimentassem histórias que podem ser lidas em linha, através dos códigos que aparecem na sua etiqueta? Esta marca portuguesa fundada em 2013, controla as narrativas trágicas duma forma precisa e muito mondriana diria. A nitidez dos grafismos deixa-me ainda mais intrigado e curioso face ao atual conteúdo das ditas mensagens.

Exposição finalistas design de moda da ESAD, Península Boutique Center.

Algumas admiráveis descobertas, outras intrigantes constatações uma semana repleta de arte, moda, fotografia e novidades. Uma das melhores foi-me dada pela minha orientadora. Mas essa é preferível manter em segredo. Deter um momento, ou idealizar tudo, e tornar tudo ainda mais que perfeito. Abster-se de viver para render-se ao prazer, ou emparelhar o caos da vida moderna, com a solidão necessária a uma tortuosa reflexão. Estar ciente do caminho já é um bom começo. Ainda agora comecei e tudo parece estar a correr bem. A moda e a literatura consomem-me elas possuem-me, e não me libertam, sou um pêndulo que oscila entre ambas. O meu ponto de levitação não é muito elevado, mas entro facilmente em ebulição. Só que na verdade, amo tudo aquilo que faço. E por isso mesmo faço-o com muita dedicação e grande intensidade. Seja a decoração do quarto, um relatório escrito, ou uma presença antecipada num evento.

A KIND OF AGENDA

Esta semana o Porto será palco de uma panóplia de eventos relacionados com a Porto Fashion Week, Modtissimo, e ainda o Porto Fashion Film Festival, o primeiro festival de cinema nacional dedicado exclusivamente a filmes de moda. Inundando as lojas, ou a alfândega onde decorrerá também mais uma edição do Modtissimo sob o tema "NONSENSE", na 4a e na 5a feira; o roteiro pela cidade Invicta tomará proporções de festa a partir do fim-de-semana, com a exibição de filmes gratuitos, e a agenda do cinema independente do Porto a complementar os dias com um cheirinho a pipocas. No sábado chega ao Plano B o produtor MUNK, responsável pelas bandas sonoras dos desfiles de algumas das mais conceituadas marcas de moda internacionais, e a promessa irrecusável de um set enérgico, de electrónica espampanante, muito na linha dos desfiles da Chanel. Se ainda existissem dúvidas quanto ao estatuto trendy do Porto, que está cada vez mais a revelar-se uma cidade de florescimento e inovação cultural à escala global, esta semana vem reforçar a ideia de que a segunda cidade do país, está a tornar-se o local mais indicado para visitar e ficar.


E ainda...


22 Segunda-Feira PORTO FASHION DISTRICT | Clérigos                                                        
24 Quarta-Feira  Festa PORTO CANAL | Alfândega                                                                 

PONTOS SUSPENSIVOS

Bar suspenso | Casa da Música
Jardim Botânico
Busto Sophia de Mello Breyner Andresen
Café au Lait | Nos Em D'Bandada

Porquê nesses sonhos abandonados, gelados de framboesa e esperas calcinantes em filas fazem os três pontos dar sentido a uma semana que se esvai como um parágrafo esquecido. Um espaço bucólico no Porto a que ninguém vai, plantas que trepam e recobrem a poetisa, mas nunca escondem a poesia. Essa deve ter ficado entranhada nos arbustos, ou suspensa no ar flutuante da brisa que corre pelo jardim. O que a vista teme é a geometria do caos, a fluência indeterminada do futuro. Tal como o mar chega, e a música entra nos ouvidos sem pedir autorização. E o concerto perdido de HHY & The Macumbas (no Primavera Sound), numa obtusa e sufocante escuridão se vê agora num Plano B, um espaço mais sucinto e propenso a essa rufada de perversão, para uma performance incrível que bombeia os mais hipertensos e faz-nos perceber que o estado da música em Portugal é digno de um arrepio cardíaco. Para mim foi o expelir de energias que já havia previsto no post em que os dava a conhecer. O ciclo se fechou e mais tarde ou mais cedo quase tudo se concretizou. O tempo é que nem sempre é suficiente para viver e escrever. Suspende-se uma (acção) em detrimento da outra, e a conversa é sempre a mesma e pouca.

SEM TEMPO PARA VIVER



Isto não é mais um título sinistro de uma novela sensacionalista. É um hiato da memória, a memória que é curta, e acumulável em bibliotecas, acervos virtuais, e cérebros que podem eventualmente vir um dia a exceder em demasia as suas actuais capacidades. Funcionalidades extraordinárias que não fogem às tribulações do mercado. Especulações como os peritos preferem designar. Nessas desavenças o conhecimento é sempre o infinito culpado. Ele torce, mói, dilui, expande, e nada de compressas para evitar a morte. O destino é cruelmente realista. Nascemos, crescemos, morremos. Ou não será bem assim? As energias resistem a essa dicção fatalista e aparecem nos mais variados formatos e modos. Somos controlados por elas, ou controladores involuntários delas. No filme escapa uma fissura interessante, se o homem dominasse a sua existência a 100%, pudesse controlar e manobrar o seu destino com livre arbítrio, seguramente a crença divina, e a própria mácula de Deus, não teria motivo para continuar a existir. A iluminura da cultura ocidental se estatelaria virtualmente, chorando os dogmas de uma crença milenar. A morte seria ultrapassável, a imortalidade seria o princípio do fim? Nada e tudo, mas o tempo sobretudo. O tempo é o handicap inefável ao Homem. Talvez o nosso maior inimigo a seguir a nós próprios. Danos irreversíveis se avizinham como já o Chefe índio Dan George adivinhava: "Drive a car, watch television, and your fingers will find it difficult to remember their skills." Gravam-se imensos dados digitalmente mas perdem-se manualmente grande parte das nossas habilidades enquanto seres humanos. Abdicamos delas para arranjarmos espaço para os bits.  O conhecimento ancestral já nem se equaciona nas nossas rotinas. Esse apenas fará parte do imaginário selecto dos labores dos membros mais antigos da família. Lucy, o filme é intrigante porque permite questionar justamente e SE "tudo isso fosse de facto verdade?" e SE "o fiasco maior da humanidade fosse a impossibilidade de usar a sua cabeça em toda a sua potencialidade?"