LONDONICES

Logo Sweater J.W. Anderson SS15

Tudo adquirido online via Wrong Weather.

Gulosices ou traquinices. Ratoeiras ou uma âncora decorativa. Existem peças que nos fazem suspirar, outras que jamais voltaremos a usar, e umas pelas quais temos muito que esperar para as ter. Foi o caso da sweater com o logo da marca homónima do jovial e já afamado designer londrino Jonathan Anderson. Intemporal, sem qualquer tipo de poluição visual. A fracção exacta de sincretismo e ousadia levou-me a acrescentar ao cesto a bolsa para tablet de outro nome sonante de Londres Kit Neale. O amarelo parece-me um tom ideal para ligar aos neutrais acinzentados deste outono, e os ratos andam ás voltas à procura das maiores armadilhas, tal como eu. O caso é que tenho tomado o gosto em investir em peças de qualidade, de designers de renome pelos quais sinto uma enorme inspiração e devoção, compras que acrescentam algo ao meu acervo pessoal não tão óbvio como poderia parecer. O meu closet no apartamento no Porto é um brutal santuário de camisolas e camisas de marca, ordenado por tons e padrões. Sempre que olho para ele sinto um enorme orgulho. Estas peças ficarão lá e a camisola como é óbvio em merecido destaque.

SAND OF DELIGHT


Verão que vai fugindo pelas frinchas, escapando nos grãos de areia empurrados pelo vento.
Que corrói as folhas trémulas do temperamento. Sucumbe-se de sol em sol, o mar lá longe.
E nessa pressa, a vida torna-se lentamente mais leve e sedutora pelas pequenas coisas.

GLAMCORE

Calçado Remar Casaco Absolutribut Calções Catalina Meias Alexander McQueen Top C&A

Depois de uma coisa, surge sempre uma outra coisa. Tanto é que depois do "normcore" surge o "glamcore" ou a acérrima devoção pela anormalidade espampanante. O que se quer usar é fruto do impulso, do imediato do brilho reluzente, do deslizar do cartão de crédito. Por mais que nos sintamos inteiramente controlados pelo minimalismo da COS (da qual também detenho umas meias, mas deixarei esse meu recém embrionário fetiche para outras calendas.) O que mais nos atrai é fugir à regra, escapar estrategicamente à maré da corrente. Seguir a nossa individualidade à risca, nem que isso implique usar calçado ortopédico próprio para senhoras idosas, ou meias a um palmo do joelho. Essa desconstrução mítica conjuga-se com um ritual auspicioso de selecção criteriosa, ou direi mesmo de ostentação luxuosa. Já não é desejável mimetizarmos-nos, ocultar a identidade, uniformizando-a, somos criaturas de uma espécie desconhecida, numa caminhada asfixiante chamada vida.

ROME IS A POEM




Roma é um poema, não apenas de Keats, mas este poema. Uma esplendorosa arritmia volátil. Que quis repetir pela segunda vez, marquei num dia, no seguinte estava a voar até lá. Descobri outros cantos, surpreendi-me de novo com os principais, e desejei, como aliás sempre desejo, mais e mais de uma cidade que apesar do calor infernal, se vangloria pelo excesso in excelsum. Santuários de gatos, gatos vagueando por tumbas ilustres. Museus esmagadores e uma sobremaneira peculiar de te atrair e inebriar. Desde a gastronomia pastosa aos queijos e mariscos. Tudo te cega e te seca os sentidos. Vírgulas, estátuas e tantos outros vícios. Roma rima rema com o poema.