BED THESIS





O meu aparente desaparecimento deve-se a uma inusitada afinação de espaço, tempo e leituras.
Tudo que se acrescenta, que se pendura, que se organiza na esperança de combater a monotonia do caos, sabendo ao mesmo tempo que dependerei deste para escrever pelo menos cinquenta páginas de tese.
A virtude de controlar a ambiência dos espaços fechados é que neles nós podemos dispor tudo como quisermos e nos convier, no exterior se o fizermos estamos sujeitos a ser chamados à atenção. Por isso a intimidade, tem essa espécie de mecânica sustentável para conviver com o aborrecido da normalidade da vida quotidiana. Os excessos de uma coleção de óculos foram deixados de lado, para poupar em espaço e ganhar em harmonia. Os livros por seu turno já ascendem a uma escala quase estratósférica, algo que também tenho de aprender a controlar urgentemente. Esse impulso de folhear, de querer saber mais e mais, de não ligar para quem fica a olhar, de desejar superar os limites, está também conotado nos tons e nas peças que escolhi para o meu "novo" quarto. A ideia de um espaço extremamente confortável, uma montra de sonos, sonhos e realidades paralelas, com uma eficaz funcionalidade e uma leveza felpuda.

SEMI CAOS

Como descrever a pulsão frenética e a intensidade gerada maquinalmente para obter sons do caos, ou o caos sonoro. Que sonoridades são precisas para demolir os ouvidos numa tempestade, onde a arritmia cardíaca quase roça um explosivo quebramento. Que imagens maquiavélicas são suficientemente fortes para acompanhar essa melodia progressiva. Não há dúvida que nas sementes dos dias, não se escutam em qualquer lado este género de músicas, que é capaz de ampliar senão mesmo amplificar o nosso espectro de sons. Imaginem uma corda ínfima, agora pensem no que é esticar, esticar, até ela quase rebentar, abstratamente é claro, provavelmente foi isso que terá acontecido a grande parte dos ouvintes que não estavam ainda totalmente habituados a lidar com este tipo de experiência audiovisual. De uma ausência por doença de Karen Gwyer, rumamos a um universo basilar obscuro de @ C desembocando na pujança magistral de Roll the Dice, que superou e foi sem dúvida um dos nomes áureos, em direção aos infernos da noite. No segundo dia Patten, o tropicalismo lascivo, fez-se de imagens cambiantes de música para música, entrecortadas por aplausos. Os vocais abafados e algo etéreos quase eram insondáveis face à sua tumultuosa eletrónica. Thomas ar de rapaz de coro, seguramente deve ter brincado desde muito cedo com amplificadores, e bater tachos era sem dúvida a benévola atividade que a sua mãe lhe permitia. Foi um total desconcerto grotesco, aberrante porque levou muita gente a berrar de medo por dentro e a abandonar a sala, demonstrando que a música experimental é uma arte com uma índole perversa à qual poucos conseguem aceder. Digamos que existe uma barreira, um limiar da dor, tolerável para alguns, intolerável para muitos outros. Eu felizmente sempre fui muito insensível à dor. Demdike Stare, o nome quase orgásmico dos produtores, que levianamente plasmaram ninfas mirabolantes, e colocaram-nas a sobrevoar a sua música grosseira, bruta, com uma mácula, muito máscula diria. Tão precisos e sincronizados chegava até a arrepiar. O fim apoteótico e contido foi acompanhado de suspiros expansivos e não tão breves. No último dia tínhamos convite para ir até ao Japão. Sonhei acordar numa sala de pânico, versão computadores japoneses. Os insetos que se queimam na barra elétrica, e os gráficos que se complexificavam entre os dois monitores desta vez separados, para entre eles se encaixar o dito Ryoichi Kurokawa, que parecia um jogador exímio avançando de nível, e rebentando as escalas do irremediavelmente possível. A sensação de que a esfera se fecha, a experiência fica inalterável, agora basta clicar, e ler para recordar.

!NSPIRAÇÃO:OUTUBRO


Ando tão redondamente distraído que nem me lembrei que já estávamos em Outubro. Custa-me a fazer menção a todos os eventos que irão ocorrer neste mês. Mas entre convénios sobre alucinações, e festivais de música experimental, haverão certamente matérias, mitos e crateras, que afoguem a pálida melancolia do dia-a-dia. Estou de tal modo sintonizado com a minha perversão intelectual que nem me assiste comentar coisas triviais como as semanas da moda femininas que acabaram ontem oficialmente. Dia em que era suposto sair, mas não saiu esta !nspiração. Não que a espera pelos móveis certos me deixe sem tempo, é pela margem do esquecimento e pelo sabor de viver, em vez de prever aquilo que tenciono vir a viver. E essa é uma virtude que por vezes me sai cara. Quando tudo que planeio, não acontece tal como desejo.
A frustração atira-me contra um muro, esmaga-me violentamente contra os painéis austeros da realidade. Eu não nasci para isto. Eu nasci para viver numa cápsula apartada, selada pela virtualidade.
Onde pouso a cabeça, e adormeço num sono, sonho leve à deriva tectónica no jardim.

PORTO FASHION WEEK

Fios tingidos.
Expositoras
Exibição dos filmes a concurso do Porto Fashion Film Festival no Modtissimo. A lista dos vencedores e os meus vencidos preferidos WARP e Double Trouble.
Exposição fotográfica "Captar Tendências na Cidade" no Modtissimo.
Algumas fotografias, a Casa da Música e uma alegre jarra na cabeça.
Folhas outonais.
Atelier-Ctrl, expositor no Modtissimo. 
E se de repente as vossas t-shirts alimentassem histórias que podem ser lidas em linha, através dos códigos que aparecem na sua etiqueta? Esta marca portuguesa fundada em 2013, controla as narrativas trágicas duma forma precisa e muito mondriana diria. A nitidez dos grafismos deixa-me ainda mais intrigado e curioso face ao atual conteúdo das ditas mensagens.

Exposição finalistas design de moda da ESAD, Península Boutique Center.

Algumas admiráveis descobertas, outras intrigantes constatações uma semana repleta de arte, moda, fotografia e novidades. Uma das melhores foi-me dada pela minha orientadora. Mas essa é preferível manter em segredo. Deter um momento, ou idealizar tudo, e tornar tudo ainda mais que perfeito. Abster-se de viver para render-se ao prazer, ou emparelhar o caos da vida moderna, com a solidão necessária a uma tortuosa reflexão. Estar ciente do caminho já é um bom começo. Ainda agora comecei e tudo parece estar a correr bem. A moda e a literatura consomem-me elas possuem-me, e não me libertam, sou um pêndulo que oscila entre ambas. O meu ponto de levitação não é muito elevado, mas entro facilmente em ebulição. Só que na verdade, amo tudo aquilo que faço. E por isso mesmo faço-o com muita dedicação e grande intensidade. Seja a decoração do quarto, um relatório escrito, ou uma presença antecipada num evento.