DOS ÓCULOS DAS TARAS DOS SONHOS

Frenesim efémero ou vómito prematuro,

Poetrofia por seguro...



Vindos sejam mal avistaram as calejadas fendas entre o botão «play» e «pause» alcançaram subtilmente o gume da consciência afiada, recaída no marasmo de uma vida desassossegada pautada pelo agoiro da mudança.
Relaxe, relance a espátula do (intuito) a haste amarela dos óculos de protecção, são entendidos pela higiénica condição de ser Vai.


Eles foram até ao quintal, até à parede branca, tempos de repetida mudança, assumidamente translúcida no código rasgado desse meu interregno já passado. [Reporto-me ao LIFE IS A DRUG SUCK IT!]

Viria a ser tentativa obcecada, génio, falência, e culto aborrecido, ao sugar algo que o Google não poderia aceitar.

Vinquei as dobras das camisolas, ordenei os casacos e as camisas por cores, e malditos foram os ácaros agressores que me fizeram espirrar para cima dos óculos de sol, que berraram com dores.

Tarado porfiado fui e vim coleccionando ovas oculares a um canto empoeirado, sonhos espelhados, transparentes, harmonizados.

Intervenho nos «displays» alusivos a «playgrounds» esotéricos montados para mim mesmo, nesse mesmo recanto sóbrio, frenético, fincado no templo desarrumado, a que chamo quarto.

Os óculos vão cair da estante, as lentes estilhaçadas, já não poderão ocultar o espelho da minha alma, e logo agora, que me queria daqui ir embora, para fora do armário estropiado, pingando amordaçado a trapos vagos.

LEAVING THE PAINTING

Como se fosse um cartoon animado, pinchei dentro de um quadro que estava ali pousado, e de tanto saltar empolgado, me cansei e a pintura abandonei, foi então que caíram algumas gotas de chuva e logo logo já fora da moldura me molhei!

SPASM

Espasmo nervoso, convulso para anunciar que este espaço irá entrar numa fase altamente conceptual.
Não querendo ferir susceptibilidades, agradecia que abandonassem caso não tenham fôlego suficiente para me acompanhar nesta viagem alucinante, nos confins não tão vagos da minha caótica mente. Sinto-me preparado individualmente para encetar esta manobra de risco, e empreender uma jornada até aos limites, da visualidade, da universalidade, desta mórbida força motriz que é a realidade (sugada) até ao último instante,,,

E sim na imagem, sou Eu a tentar aspirar um saco de plástico.

OUTLINING THE WINTER


8 propostas simples e complexas, delicadas e agressivas, da era do quimono à vida de guia turístico espacial, vai uma curta e ténue distância marcada sobretudo nos tecidos crus e puros, em tonalidades suaves como o bege e o branco pálido. Se no inverno passado a chave estava nos distintivos neste por seu turno, ela é apenas a do conforto do nosso lar, o sofá de molas retro, as luvas de pêlo, um aquecedor a óleo ou a chaise long de estampado bovino. Tudo é tão rápido e repentino, que só de vaivéns sucessivos, é possível desobstruir o caminho...