MOLEDURA

Palavras de rua. Andares, andores e alguns tímidos ardores. As aderências que se descolam, as películas transparentes que se colam. E as leituras por um fio, em constante desafio. Não tem sentido, o senso comum "para sempre vinte e um", eternamente risco, capicua, 11 já 22, a verdade vai nua. A perfeita conjuntura, conjectura. Tudo isto e mais algum termo conciso impreciso como aquele que aparece na moldura. Resumiria a minha vida, tão mole e tão dura doura no tempo. Agora casa, instante que se guarda, amanhã a habitação do esquecimento. O meu quarto, o recanto predilecto do apartamento. Emoldurado por secções de livros, secreções de discos, selecções de trapos do momento. A mentira é toda sua.

ESPAÇO QUE HABITAMOS

OU AS MÁQUINAS QUE NOS TORNAMOS

A sétima arte tem esse dom supremo de arrebatar corações, criar erupções cerebrais e acrescentar possibilidades que até então não haviam sido esquadrinhadas. A ciência alia-se à ficção e procria tecnologicamente o futuro, rumo a um espaço-tempo diverso, e multidimensional. As inteligências supra sensoriais, já não são mais uma odisseia, são uma passeio marítimo tremendamente gelado à procura da sobrevivência da espécie. Sempre em busca de um roteiro, um refúgio, um recobro para a nossa existência. Onde aquilo que nos liga é a memória que temos dos outros e das nossas relações com estes. Indivíduos artificiais, planetas inóspitos, realidades virtuais, tudo se alinha no horizonte do homem, estará ele preparado para zarpar à aventura? Uma sombra, uma dúvida. O homem sonha, a obra nasce. Mas por vezes nem todas as obras trazem consequências positivas, e há fenómenos que ultrapassam a própria compreensão humana, extravasando o domínio do seu suposto controlo. Será Deus, um ser assim tão maléfico como o único Nobel português o quis pintar? Estará a evolução a caminhar demasiado rápido, para os passos que a humanidade ainda tem de dar?

FLAMBOYANT



adj. florid (writing speech) usually in a freestyle. 
brillantly colorful


Cachecol ZARA Calças HUGO COSTA

!NSPIRAÇÃO:NOVEMBRO

Imaginar as coisas como se elas tivessem estado sempre lá. As lascas verdes nos troncos das árvores. A borboleta pousada no ecrã led da TV. O musgo errante. As tentativas de fantasiar com sexo, embora ele seja bem real, nos parecer sempre mal. Necessitar algo mais mundano. Ficar sentado a imaginar coisas. O quão as imagens se tornam inúteis. Ao olhar imaginário perante as coisas. Perversões cegas centrifugantes autómatas.