ESVOAÇANDO

Março, é mês de renascer, de despertar do sono invernal profundo, arrumar os parkas, os guarda-chuvas e ir buscar as t-shirts frescas, as calças de linho, as sandálias, os lenços esvoaçantes...
Os raios de sol começam a espreitar, a natureza a renascer do invernal sono profundo, tudo se deixa colorir, refrescar, a luz desbota o cinza do céu que acaba por desabar.
As cores querem-se claras, garridas, fortes, leves, suaves, puras, umas nuas outras cruas.
Um soneto encantado plantado no nosso armário de inverno, um tsunami, um tornado varre tudo até a terra de humilde gente.


COCKTAIL DA VAIDADE

Na aldeia global em que vivemos, é muito usual repescar inspiração de grandes obras do passado, remexendo nos arquivos dos nossos antepassados não muito longínquos.
É saudável, mexer e remexer, no passado, mas devemos ter orgulho da era moderna e decadente em que vivemos: das transmissões de eventos em directo na grande teia, nas viagens com check-in online, nas informações curtas e espontâneas do twitter.
Somos fruto da mistura de tudo isso do passado e do presente e da projecção do futuro, somos o mundo em constante ebulição, somos o estilo, a moda, as sementes da futura criação.
Tudo que fizermos hoje será desfeito amanhã, ou aperfeiçoado mais tarde, mas mudar nunca vai deixar de custar.
A moda, em suma, todas as formas de expressão, sofrem connosco, ao longo do tempo diversas fases de mutação.
Podemos rumar contra a maré, praticar o individualismo, mas são as massas que movem tudo isto.
Viver á margem é bom para aqueles que querem ser os mártires da solidão.
Moda é mais do que isso, é deixar-se envenenar pelo cocktail da vaidade mortífero.

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