IGUANAS NA CALÇADA

Dois designers, um público maioritariamente jovem ligado à área da moda, uma elite escapista às filas de mais um dia de Portugal Fashion, escassos atalhos à frente, numa calçada tumultuosa, e repleta de iguanas tremendamente curiosas. A eloquência do senhor Júlio, que soube bem conduzir, algo aflorado, mas ao mesmo tempo, pérfido e repleto de gumes e espetos venenosos. No epicentro de tudo temos a capital francesa, tirana por um lado, alegre idealmente, por outro. A desalmada crise lusitana, a contrafação dos crocodilos e das iguanas, e claro um ímpeto maturo de bons conselhos aos novatos e sedentos designers do futuro. Uma consciência coletiva, que chama fado e grita vida, que traz um tímido esboço de uma sociedade banalizada pela velocidade da novidade do momento! Um artifício emaranhado, ou uma indústria de ponta, focada num mercado elitizado. "Dar vontade às pessoas de comprar o que elas não precisam" palavras que fazem entalar o caroço do fruto de Oliveira (Baptista). Mas é acima de tudo importante, ter um feedback, de um público ou de um crítico, que sucessivamente se renova, dando aso a novas leituras. Os códigos não são estanques, são redimensionados e repensados numa estética reformadora dos conceitos previamente estabelecidos. Rimando ritmicamente "há que usar o Radar" afirma Buchinho, acertando na much quando refere que "existem demasiadas ideias no ar (pouco consistentes)", mas ambos põe entre parêntesis a questão da Responsabilidade, quer ecológica, quer pessoal. Desengane-se quem vive em conflitos com o ego, existem bichos estranhos na calçada portuguesa, os media cobrem, e ninguém os encobre, só que certas pontas do crime, ficam por desvendar, cabe aos designers a terrível tarefa de os destapar e quiçá, os restaurar, para passado seis meses, os colocar a desfilar.

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1 comentário:

  1. Obrigada por partilhares :))
    Gostava de os ter visto confrontados com as questões :)

    http://hiimab.blogspot.pt

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