DA ERA DA MODA DA POESIA

Enquanto engolia marshmallows, pensava numa forma coerente, e não tão-somente dispersa de expressar por palavras o que levitava na minha mente...
Quando me propus a criar um blogue, nunca foi com a intenção de se tornar um sucesso, de ser famoso, ou muito menos receber o que quer que seja gratuitamente.
Foi apenas uma forma de expelir tudo que engolia e sugava, e tinha que guardar internamente para mim. Rasguei o silêncio e atirei-me de cabeça num projeto, que ganhava contornos diferenciais dos demais. Além das rimas evidentes, da linguagem plastificada, e dos vocábulos vomitados que atiro onde calha, solto farpas ignóbeis, mas sinto-me livre, porque não estou escravizado. Faço-o não por obrigação, mas por pura paixão.
Não peço que me leiam para colher informação, peço que sorvam de algum modo a inspiração, tal como eu faço com tudo o que me rodeia, quando me apetece, é certo.
Se estão a ler este texto, algo vos trouxe até cá. A sedução das palavras, as imagens, o meu esqueleto arbitrário, ou ainda a curiosidade aguda. O meu estilo panfletário é que não creio.
A moda e a poesia existem, e fazem-me respirar todos os dias. Elas são os ecos sobressaltados do meu ego, id e superego. Invadem-me para me evadir. Servem-me para eu as servir aos outros.
Uma fusão faiscante. Mas e no futuro, como será isto tudo? Os desfiles virtuais, as crenças nos terabytes da Prada, os tank tops pixelizados, os sapatos led encravados.
Basta de compulsivas conjeturas de uma supremacia alucinogénia do mau-olhado. O que importa é que está tudo a mudar, a linguagem, veículo fundamental da comunicação, e por conseguinte as pessoas, e o Mundo.
Rápido, é passado. A velocidade é impossível abrandar. O impacto causado por uma imagem gif, em alguns segundos, talvez resulte mais eficaz que dois minutos de um anúncio publicitário. Suposições atiradas no campo maldito do frenesim da informação. Todos consumimos. Muitos sem sequer a processar. Corrompem-se na ânsia de divagar. Ou divulgar o que já era passado mais que imperfeito. Atraídos pela efemeridade, pela inutilidade de algo que se cospe rapidamente.
Onde tudo isto irá parar? Num regresso aos primórdios, às peles, aos adornos corporais tribais, aos hieróglifos, ou uma fulgurante passagem para uma sexta dimensão supra virtual e viral que contaminará todos os habitantes desta parafernália de supra egos.
Não sou vidente, mas sinto-me contente, por viver nesta era, tão incerta como (des)conecta!

3 comentários:

  1. Que texto fantástico João!
    Eu também me sinto contente de viver nesta era mas o mede é latente!

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  2. O que me fez ler este texto é a tua identidade única, e a paixão transparente, mesmo que "plastificada" com que te expressas!

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  3. é tudo tão rápido sim...esta era apaixona-me mas também me assusta...onde iremos parar!

    mais uma vez, palavras e opiniões tão tuas, adorei ler!

    My Fashion Insider

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