POST TENEBRAS LUX

 "¡No, perritos!"


Deviam apenas retirar a cabeça fora, se ainda não viram este filme do realizador mexicano Carlos Reygadas. Percepção distorcida da realidade, sons desfocados, idealidade, arte, em estado puro. Imaginação desmedida, complexidade atroz, planos sublimares, erotização crua dos sentidos, que entram em êxtase logo após os primeiros dez minutos da película. Se for parado, chato, caótico, masquem a ambiência campestre, que no ladrar ventoso acompanha a rotina diária e um tanto bizarra de uma família banal que se muda para o campo, onde aprenderá a conviver com códigos de sociabilidade distintos aos que estava habituada. Oxalá o cinema auto-biográfico fosse tão mainstream e fácil de produzir. Estando num período de tempo tão limitado nas salas de cinema, indo a Cannes, ou não, a verdade é que as massas adoram odiar o conceptual, tanto melhor, que cabe a uns iluminados o poder de criar e saborear este género visionário de expressão artística.


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