ABSTRART

Esta temporada tem se pronunciado demasiadamente sobre a arte, num discurso reflexivo, de alguma subversão e oposição num tom sempre irónico, face aos excessos artísticos, e à já velha questão da moda, não apenas como indústria mas como algo que de algum modo estará a meio caminho entre a arte e as necessidades de expansão na era da globalização do mercado do vestuário. O desfile da Chanel, que recriou uma galeria de arte, e a explicação do mentor Karl, que se focava precisamente «na preocupação de criar roupas, que se assemelhem ou de certa maneira pareçam obras de arte, sem para isso usar os típicos pressupostos artísticos». E ainda numa visão mais transparente e explícita, as manequins de Prabal Gurung protegidas num plástico como se de preciosidades intocáveis se tratassem, ou os murais urbanos que Miuccia Prada teve na sua mais recente coleção para a marca. Para culminar, o segundo evento de moda nacional, para confirmar essa tendência imperante, que se concretiza numa crase fascinante de dois conceitos por si só já tão vagos, como arte e justamente abstracto. Podendo evocar múltiplas interpretações, soltar ideias, experimentar, e dar aos bloomers o espaço para eles brilharem, como Miguel Flor se referiu aos novatos criadores na recente entrevista concedida à VOGUE Portugal de Novembro. Palavras leva-as o vento, afinal já falta pouco tempo...Consultem o evento e o line-up completo aqui.

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