DAS MARCAS DOS LOOKS DAS TENDÊNCIAS


Informação in loco que gera um potencial manancial de tendências, que será posteriormente descodificado, pelos geeks da moda, capaz de soletrar de cor cada look de um determinado desfile, e associar, dialogando com outros dessa mesma coleção, e coleções de outros designers. Um processo complexo, que nasce em grande parte das expectativas elevadas dos consumidores, ou dos chamados "buyers" que decidem o que pôr à venda nas mais famosas lojas de departamento, ou mandar para as intimistas e sempre muito concorridas "designer sample sales". Num abrir e fechar de olhos, somos bombardeados por inúmeras propostas que mal conseguimos digerir, sem que venham mais e mais novas ainda. Esse ciclo vicioso parece surtir o efeito desejado se formos pegar no exemplo paradigmático da ZARA que não só alimenta os desejos mais fracos, como deve estar sempre à caça do próximo hit de vendas. Como arruinar esta esfera sistemática, de desejos avulsos, e convulsos, decididos por entidades poderosas, que nos conduzem a um encantamento momentâneo de desejar o que não necessitamos, só porque faz parte do cardápio de tendências da estação. Não sugiro uma revolta, nem manifestações durante os desfiles, os designers não têm culpa alguma, eles são vendedores de sonhos, não merecem ser condenados por isso, a culpa é das entidade invisíveis que condicionam e modelam os gostos de um determinado grupo social, e que sem sombra de dúvida adquirem o estatuto de "elite" trendy a seguir, se não se quiser fazer parte do grupo "out". Outras forças por certo existem intrincadas no processo, conflitos de egos criativos, investidores descontentes com o trabalho de um designer para uma marca de luxo, ou o simples apanágio de estar cansado e ansiar mudar de rumo.

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