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Como já havia anunciado no Facebook ando a colaborar com uma revista online sediada em Cantão ou Guangzhou na China, e na mais recente edição que saiu há uns dias escrevi um texto que partiu de uma música de Sol Rezza, "Revolution as a loop" sobre a temática central da revista, que é precisamente, revolta, reivindicação e tudo o que isso implica na vivência pessoal e criativa da moda, como construção de uma personalidade vincada que se quer apartar do marasmo no qual a sociedade parece estar "afogada". Poderão ler a revista na íntegra aqui e gostar dela no facebook. Disponibilizo aqui a versão em português do respectivo artigo.
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Ter os testículos presos ao chão e os lábios cosidos, e já termos ido à lua parece uma séria e danosa contradição. Nos conturbados tempos em que vivemos, somos a toda a hora bombardeados por horrorosas notícias, revoltas, protestos, crises políticas, manifestações populares que se espalham e infectam as redes sociais. Acabamos por aderir a uma espécie de uniforme, e adoptamos uma postura mais agressiva de modo a enfrentar o dia-a-dia.

Obviamente que criamos as nossas versões mais fortes a fim de evitar o sofrimento decorrente da exclusão e da repressão. Este é o nosso leitmotiv: não silenciar o turbilhão de pensamentos, mas quebrar as regras do jogo, e atirá-las para uma área inesperada, levando a criatividade ao limite.
Mal chegamos ao Mundo gritamos num desespero de fúria, ao sair do ventre materno nasce a revolta, e no momento em que respiramos, conquistamos um lugar no cosmos, e começamos a nossa viagem de agachamentos e flexões pela Terra.
A revolta é uma reivindicação do nosso eu, enquanto detentor de uma personalidade, que não se quer imiscuir com as demais, e ser mais um do rebanho de carneirinhos.
O que importa guardar secretamente para nós mesmos, é a chave dessa potencialidade, a nossa inegável criatividade. Ela não cessa, emerge, lateja, ejacula, infinitamente, mediante estímulos diversos, que por mais perversos que possam ser, são a coroa para a nossa cara existência enquanto seres humanos dispersos, mas focados num bem comum, a profusão dos sentidos numa sociedade ausente de preconceitos.
Espiral do conhecimento, magia oculta, ou uma ânsia incontrolável, de barafustar, criticar, e asseverar, sendo ao mesmo tempo capaz de gerar algo completamente vincado e isolado de tudo o que até então tenha sido produzido.
Não recusando o legado do passado, mas abrindo brechas nas esferas intocáveis, rachando os úteros inexplorados, e possibilitando uma megalómana experiência sensitiva, que transcende em tudo o nosso horizonte de expectativas posterior ao grito da revolta.

Revolta é expelir os nossos sonhos, e cuspi-los contra a parede!

Irreverência, escuridão, palavras fortes que servem aqui de espinhos imaculados para o lançamento desta (elsewhere) retaliação de nenhures.

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