THAT TANGERINE TOUCH


Não é à toa que tendo a inventariar e encaixar tendências no seu devido lugar. Tenho um olfacto azafamado para prever o que se irá usar, e com alguma recorrência ouso lançar as coordenadas para guiar futuros seres quanto mais não seja a organizar os seus armários. Uma cor que não é nova, nem o supra sumo das minhas predileções cromáticas, mas é a tentativa de desviar-me do óbvio que me leva a espremer uma vez mais o seu suculento suco aqui. Estando totalmente desprovida de uma acidez garrida, que já fez parte do passado recente quando aliada ao neon, esta tonalidade encontra-se numa fase de transição, o universo dos Flintstones veio de imediato à minha cabeça, esboçando um trémulo sorriso empilhado em calhaus de sonhos destroçados pela velocidade da técnica. A receita possível é ser neutral no modo de conjugar as peças, e apostar nas cores que respeitem essa sincronia, entre a ausência e a opulência da cor. Exemplos acertados existem seguramente, ainda para mais quando se usa a roupa como uma segunda pele espessa e transparente. Dissimulando a imprecisão do olho e as imperfeições do corpo. Esse truque por vezes até iridescente abre caminho para certos questionamentos de ordem sociológica e filosófica no que respeita à ideia de "proteger ainda que deixando (algo) transparecer". No consórcio mais próximo ao "tangerine tango" as peças aparecem em blocos contrastantes, ora borrões ora camadas, que cortam a infalibilidade do monocromatismo, complexificando a mistela espremida.

Lee Roach/Proenza Schouler/Orley via STYLE.com

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