LANGUAGE IS NOT TRANSPARENT

"language is not transparent" por Mel Bochner (1969).

Se é uma das coisas que tenho vindo a descobrir e a dar maior atenção, é à plasticidade da linguagem, a maioria das pessoas nem se quer se apercebe, mas ela é mais complexa que as tessituras e os fios que compõe um pedaço de malha. Além de ser a base de tudo o resto, ela implica uma abstracção e uma construção inóspitas. Existem pessoas que copiam e colam opiniões, fazem resenhas disto e daquilo (quem quer ler uma resenha sobre o "Diário da Nossa Paixão"?), depois existem outras que adaptam o mapa conceptual da pesca, às confissões sexuais de uma mulher que terá descoberto a sua vagina aos dois anos de idade. A minhoca e o isco presos semanticamente, "enrolando-se em espirais tortuosas, como uma serpente foi assim que a percebi..." Falando de coisas sérias, existe toda essa perversão socialmente auto-contida. Desprezam ou fingem que, mas no fundo sabem que a beleza é a droga mais aditiva. Outra das coisas que não consigo conceber é porque é que os verdadeiros génios morrem demasiado cedo, e sem lhes apetecer ser reconhecidos, são seres malditos, que escapam à banalidade da existência humana, por justamente ela lhes ser retirada precocemente. A receita para se ser bom, é descolar-se deste mundo temporariamente, ou entrar no paraíso com passe rápido e directo. Ainda existem novas teorias do mal, novas teorias da felicidade, e algumas sobe a feracidade ou a falência herdade, que se prende com todo o metano castrador que geneticamente consome as nossas células. Estamos predeterminados à morte, seleccionados à morgue, e somos imiscuídos em rituais de iniciação, de camaradagem oculta, de alinhamento sócio-político, e pervertidos pela linguagem que não sendo transparente, ofusca-nos embaciando a nossa mente.
Vogue Italia Janeiro 2014.

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