EXPERIENCI ARTE


A arte tem se revelado mais experiencial e intocável, explanando um leque de infinitas possibilidades, suspensas em fios transparentes ou traços deslocados do contexto, desorientados nas paredes brancas, projecções em vídeo de rituais banais, como descascar frutos ou legumes, letras e tipografia sempre imbricadas à poesia. A captação dessa essência, requer saber interpretar poeticamente as mensagens vinculadas, não tanto saber ler o "Sem Título" da obra ou os seus elementos "tinta da china sobre papel",  trata-se de arrecadar uma experiência, um trato recíproco entre o espectador e o objecto. O objecto é esse "ser-outro" que o Eu intenta desmistificar e atribuir sentido. Pode-se facilmente simpatizar com alguma temática em específico, ou podes simplesmente desprezar os recortes do jornal, para subjectivar essa tenda/papagaio holográfico, que te permite voar para um outro lugar, muito distante do olhar do segurança, que segue linearmente os teus movimentos pela sala. Como Mira Schendel luzidamente intui: Arte é nostalgia de Deus, não precisa pintar aquilo que se vê, nem aquilo que se sente, mas aquilo que vive em nós. Essa vivência torna-se tanto mais profunda, quanto eu quiser que ela assim seja. A arte apenas abre caminho para essa experiência, ao despertar outras perspectivas, outras reflexões ao colocar em evidência uma possibilidade que até então não havíamos equacionado.

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