COOL KIDS ON THE BLOCK


Depois de na quarta-feira ter rumado a Lisboa para assistir de propósito ao desfile do Bloom integrado no dia de arranque do Portugal Fashion:ORGANIC, no qual HIBU e João Melo Costa tiveram a possibilidade de num cenário envidraçado e bucólico apresentarem as suas intrigantes coleções, cruzei-me já na quinta-feira com dois dos designers do Bloom no edifício da Alfândega, no âmbito da Brand-Up promovida durante os dias do evento, na qual rostos jovens da moda nacional misturam-se com marcas portuguesas de renome num conceito a meio caminho entre a loja multimarca e o showroom, permitindo-lhes contactar com a imprensa especializada, investidores e potenciais compradores. Nessa hora de esperar antes de subir a faustosa escadaria, propus-me a saudar a Teresa Abrunhosa (que só apresentou a sua coleção no último dia do evento) e o João Melo Costa, ambos bem dispostos, animados e cheios de vontade de expor e explicar a ousadia e os conceitos por detrás das suas peças de vestuário.

Como descreves em apenas uma palavra a tua colecção Outono/Inverno 2014/15?

João: Ser.

Teresa: Superfunkycalifragisexy


Que personalidade ou celebridade gostarias de ver a usar uma das tuas peças?

João: Apenas alguém que goste do meu trabalho.

Teresa: Rihanna

Qual o teu local de eleição para criares/desenhares as tuas coleções? É um processo solitário ou preferes estar no meio da multidão?

João: Preciso de andar para pensar. O resto do processo: sozinho no meu atelier.

Teresa: É algo que depende do meu estado de espírito. Normalmente prefiro estar isolada para me concentrar melhor no trabalho, embora por vezes também seja inspirador ter movimento à minha volta.


O que achas que as clientes procuram nas tuas roupas?

João: Pelo que vi na Brand-Up, procuram ver como tudo foi construído, revirar as peças.

Teresa: Quem veste Teresa Abrunhosa não quer passar despercebida e gosta de se sentir feminina e sensual.

Onde imaginas estar em 2030?

João: A viajar pelo mundo enquanto construo uma colecção.

Teresa: Espero estar a dividir o meu tempo entre a sede do império Teresa Abrunhosa em Paris, entre L.A., onde estão os meus clientes principais, ou Ibiza, onde o meu club nocturno exclusivo é palco das festas mais desejadas. Faço tudo isto acompanhada do meu tigre de estimação, o Dante. #topoftheworld

O que seria para ti «concretizar o teu maior sonho»?

João: Nunca deixar de me sentir inspirado.

Teresa: Que a minha marca tenha reconhecimento internacional e que possa continuar a fazer aquilo que mais amo por muitos anos!

O que dizem os teus olhos sobre a moda em Portugal?

João: Dizem que estão para vir mudanças positivas.

Teresa: Em Portugal há designers muito talentosos e sem dúvida que a industria têxtil é do mais alto nível, no entanto uma das maiores dificuldades dos criadores portugueses prende-se ao facto do mercado interno ser muito pequeno e haver pouco capital para expansão.  

O que te devia perguntar numa entrevista futura?

João: Podes falar-me um pouco sobre o teu último coordenado?

Teresa: Acho que se me fizesses este questionário daqui a uns tempos teria respostas muito diferentes. Vale a pena testar!



A geração de finais de 80 inícios de 90, na qual eu orgulhosamente me insiro tal como eles, tem um potencial criativo sem precedentes. Por isso mesmo intitulei este post com uma saliência de saudosismo do quarteirão, que já não deve fazer parte do nosso diapasão, somente na imaginação. Assim se entende o glitter, o barroco, a estética spice, trashy e underground que ascendeu em 2000 ao culto a uma odisseia de estilos e flows espampanantes e massificados dos quais a Jenny sempre se havia afastado, pois ela mesmo depois de ter em milhões tocado, sentia-se sempre a do bloco. A moda manifesta-se espiral mente, tendendo por isso mesmo a uma perfeita sincronia entre o passado, o futuro e o presente. Mas ela nunca alcança essa total harmonia e por isso mesmo, se renova de seis em seis meses. E aí os garotos do quarteirão apresentarão, se bem sintonizado estiver, as suas coleções de Verão...



Obrigado pela cedência das entrevistas, pelas conversas fugazes e por felizmente adocicarem a cadência de propostas femininas num registo mais aligeirado, colorido e descolado.

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