DOS CISNES DOS CRISTAIS DOS MISANTROPOS


Brilhante aversão que coagula em enorme proporção o pranto do meu peito. De ser inútil odiar toda a gente, tanto quanto é amares a ti e ao mundo inteiro em demasia. Porque as nuvens estão longe e não podes tocar nelas, e precisas das pessoas embora não devas tocar em todas elas. Existe esse jogo dos cisnes, que andam à deriva no lago das lamentações, e tentam lapidar os cristais que encontram repentinamente num mergulho mais profundo, mas acabam por quebrar a língua e o bico, ao soluçar desesperadamente até à superfície. Quanto mais queremos, mais perdemos. Arrastamos as escamas para fora do prato, e arremessamos a alma, como uma fronha de almofada suja. Para lavar o corpo e etilizar a alma, não apenas brilhar no escuro com um casaco de tecido tecnológico de ponta, nem cravejado de distintivos, mas requerendo álcool que é a causa e a consequência do desejar levitar. Desprender-se de tudo que se situe no térreo e escavar até ao subsolo. Criaturas bizarras em cenas inóspitas, bem-vindos a este infinito mundo...


Sem comentários:

Enviar um comentário