POOLS IN MILAN


De tantos "P's" se fez mergulhar o arranque da semana da moda masculina de Milão. Se em Londres era o picnic, em Milão são as pools que convidam não a um estático salto de consumo, mas a umas braçadas sincronizadas e avessas aos lugares-comuns de veraneio. Tubarões ferozes, roupa íntima vulgarizada para uso externo, uniformes simplistas, cortados a x-acto. O rosa ruborizado talvez não seja tão forte quanto o azul, mas os full looks em branco e nude, são as respostas primordiais, a uma constância cromática trivializada. Numa maré de contenção Miuccia Prada atirou aos jornalistas que a entrevistaram a seguir ao desfile sobre a sua coleção: "Conservadora apenas. Não é altura para coisas estranhas." E o mais bizarro de tudo, é que é verdade. Esse esvaziamento patenteado por algumas das mais conhecidas marcas já tinha sido anunciado em jeito de premonição na temporada passada, mas para lá da porcelana da Versace, e a mochila, que também está de certa forma em consonância com o picnic londrino, as roupas tendem a ser mais austeras e sobretudo coesas com uma conjuntura de depuração, ela própria contida. Sem os eventuais processos vulgares de evasão. Não sei se faz sentido, se torna tudo aborrecido. O que me parece é que é tudo tão bem desconstruído que não causa impressão. Não imagino nenhum dos empregados da Miuccia a ir assim vestido a uma piscina no Verão. Nem se quer tomar um copo. Essa aparente subversão, é delirante e irónica. Estamos afogados pelos constrangimentos dos códigos de vestuário, pelos fatos à medida, pela imposição daquilo que devemos usar para tapar o nosso corpo. Temos receio da barbatana do tubarão, tanto ou mais que da cara do nosso patrão.

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