SHADOW TRANCE

Se tivesse que ajustar a minha sombra sempre que saísse à rua, certamente entraria em transe. Todos os pontos alinhados embora os botões da camisa estivessem desabotoados. As meias curtas ajudaram a criar a ilusão do efeito de prolongamento das calças em cabedal roxo. O padrão da camisa confunde-se com as flores da vegetação. Os ramos entrelaçados com os braços desengonçados. Não sei se sou um fantasma que vivo entre os humanos, ou um humano que só se sente bem entre fantasmas que andem à procura das suas próprias sombras. Os óculos como sempre ocultam a alma. O que me olha a sombreado, o rosto inaudito enevoado. A nervura trémula do pensamento e as roupas que servem apenas para proteger o esqueleto enfeitiçado.

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