DIA DE AZAR PSICADÉLICO

Ontem à noite numa azáfama de passeios, comboios e escadarias entrei no GNRation pela primeira vez.
Um espaço tecnicamente viável e apelativo pelos seus contornos orgânicos e futuristas. Não foi de língua de fora que fiquei propositadamente perto da saída. Os jogos de luzes, as vídeo projeções desarticuladas e mirabolantes reinaram durante a performance de Panda Bear, o músico dos Animal Collective que escolheu a capital portuguesa como sua nova morada, e Bracara Augusta, como a capital do norte a receber a apresentação do seu novo álbum.
Acho que fiquei chocado pelo mostruário de imagens, mais do que pelo vocalista, parecia que tudo estava prensado entre o tecto e o chão, as pessoas eram meros escaravelhos cegos pelas luzes  tal como a canção "blinded by lights". Se calhar a minha fasquia estava algures a roçar a estratosfera. Mais interessante de tudo, haviam pessoas desesperadas à entrada com cartazes onde se lia em letras garrafais:"COMPRO BILHETE". Não imaginava que fosse assim tão escutado esse género de música. Entrai numa sala de pânico e escutai um carrossel de decibéis acima do limiar suposto com muitas musas giratórias plasmadas a gosto. Esse exercício é como fugir antes do encore, para não perder o último comboio. É ficar inebriado pelos passos pesados blindados pela centrifugação das manchas de cor. Um êxtase que para mim não foi azarento, mas porventura poderia ter sido muito mais expansivo e diversificado do que barulhento.

Imagem via Instagram

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