DESCARNAR


Escancarar ou apenas uma sem face incarnar...
"to all my faceless friends!"

Uma gazela deve dar pulos de satisfação quando é desventrada por um predador. Isso seria a mais rudimentar forma de prazer. Mas nos gritos gravosos de Gazelle Twin, a penumbra que plasticiza o rosto oculto, parece ser uma gota de suor preponderante para as suas performances. De resto essa magia encantatória de suprimir a identidade, para validar a sonoridade tem sido uma constante no panorama da música actual. Dá a crer que esse ritual avassalador é necessário, para que os aplausos surjam e se possa reverberar "foi um bom concerto!". Nos corredores algum queixume perante as interrupções entre as músicas. Para mim a estranha sensação de uma paragem obrigatória, de modo a evitar um calamitoso aperto. Ou direi mesmo, sufoco? Abanava-me sem dó nem piedade, mas uma rapariga ao meu lado, deve ter ficado perto de um traumatismo encefálico. A maioria acompanhava serenamente os movimentos carnais da vocalista, com uma certa náusea fruto de alguma incompreensão, in-adequação? Para trás ficou atilla que trouxe um set explosivo para um público tímido. Mas interessou-me se tivesse sido às três da madrugada de um sábado. Calibrado, aberrante, com umas pontadas de outras naifas, já extintas, mas sem sombra de dúvida, um projeto inovador rude e intolerável para cardíacos para não deixar de assimilar.

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