RIO PERDIDO



Precisamente vinte dias de um profundo interregno. Até ver onde as peças perdidas se juntam para por fim formar um puzzle fácil de ser resolvido. Nessas lunáticas tardes de ressaca e reflexão esbarrei (finalmente) contra o filme que foi possivelmente o maior falhanço da edição passada do festival de Cannes. Ryan Gosling é o director escorpião, que inflama uma banal tragédia familiar com algo de mítico e místico. Agora a minha mais célere questão é saber porque razão o filme foi tão desprezado pelo público e chacinado pela crítica. 

Que mal tem uma família superar um obstáculo e no fim se manter unida. Que têm de mal as metáforas da perversidade, dos caminhos fáceis que levam todas a uma fossa comum. Por que os sonhos não podem ser as respostas às nossas mais inusitadas perguntas. Por que o rio perdido não deixa fluir o passado, estagnando-nos nesse instante presente infinitamente recordado.

Gosling não podia apagar do nada as referências fantasmais a outros realizadores com quem já trabalhara, aqui evoco potencialmente o famoso "Drive" e "Only God forgives". Seria como rasurar o seu percurso, ocultar parágrafos da sua biografia. A sua evolução enquanto artista deve ir nesse sentido, superar os aspectos que venera, de modo a poder vir a ser ele mesmo venerado pelos seus.

Mas encontrar esse lugar próprio não é tarefa fácil de cumprir logo à primeira tentativa. E talvez os críticos não souberam distanciar-se desses detalhes que emanam do filme, sem por momentos, esquecer o sujeito criativo por trás dele. Estavam expectantes por uma obra de Gosling que não colasse estética e subtilmente planos, cenas, tons originários de outros filmes.




Avaliação:**** Nota IMDB

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