DAS LASCAS DOS FOGUETES DAS MEIAS


A melhor feição da nossa personalidade revela-se quando enfrentamos de forma sorridente os nossos piores pesadelos. E quem diz pesadelos, diz medos, receios e outros meios que engendramos para contrariar a rotina. A textualidade tem essa frutífera evidência, lascando a realidade aos pedaços servindo-a como aperitivo para refugiados imaginários.

Nessa preventiva e não pervertida realidade que supera os espectros da nossa vontade, esperamos impacientemente pelo que arde, ou faz arder a nossa emoção, a comoção dos tristes. Falamos de tédio, como um pé-de-meia, que guardamos religiosamente para a viagem que desejamos fazer, e mais ninguém quer saber.

Ouvimos centenas de foguetes, permanecendo indiferentes ao vórtice do desencantamento. Costurar escolhas que custam a produzir efeitos, e sofrer efeitos colaterais devido a essas escolhas. Ser a ave rara que voa para sul, quando todas as outras voam para norte. E por isso ser a brisa pérfida, fluída e virtual que te conduz para além do supérfluo terrenal.

Oras e horas vagas de pensamentos inexplicáveis inertes mas repletos de desejos de ação. Um filme que desenrola sem qualquer tipo de pressa ou movimentação. A personagem permanece estática. O vento raspa contra a madeira gasta da janela. Ultimato da manipulação.

Não tens meias suficientes. Caças com lentes. Usas pentes para catar chinelos mofados. E sabes perfeitamente que destino dar aos teus pertences usados. Pretendes tomar conta do que não podes possuir…E descomprimir, reprimir os suspiros, as desarticulações discursivas.


O que tens é um turvo tumor à vida.

Escutem ainda a playlist que preparei para a rentrée.

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