OH ZOLA OH JESUS


Ontem um dia de peso musicalmente falando no que toca a vozes femininas no Porto. Numa sala Zola Jesus noutra mais abaixo Cat Power, entre elas um público entusiástico e reprimido sem conseguir decidir qual a melhor voz para escutar numa até calorosa noite de domingo. Como apreciador das duas a minha escolha recaiu na mais vanguardista e naquela que mais escuto desde 2011. Curiosamente a minha irmã optou por ir ao da Cat Power e assim fiquei indirectamente a ter uma ideia de como correu o da norte-americana, pelo que ouvi com algumas falhas técnicas.
Não muito comprometedoras, suponho, outra curiosidade é que fui a escutar Gazelle Twin, uma das meninas que também vi este ano no Maus Hábitos, ambas poderosíssimas em palco e com um talento desobediente para os saltos, para a esquisitice caca-fónica e para abanar os cabelos compridos ombré. Zola com vocais poderosos (mesmo a capela) e com instrumentais precisos que tornam as suas melodias lugares de delírios sacramentais com um travo doce concebido pelos seus olhos esverdeados. O set-list foi o mesmo apresentado noutros concertos da digressão europeia concentrando-se no seu novo "Taiga" mas com algumas notas dos seus trabalhos antigos como "Conatus", que para mim são mais bonitos talvez por ouvir há mais tempo. A "Shivers" (que ela não vocalizou) e a "Skin" são duas das minhas melodias favoritas aquelas pelas quais o tempo passa, mas que sabe sempre bem escutar uma e outra vez. Foi um concerto consistente com um final avassalador que não decepcionou a plateia. Estou muito curioso por saber quem será a próxima senhora a desembarcar no Maus Hábitos.

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