IDIO SIN CRAZY



Se da loucura leviana extraíssemos em partes as sílabas e transmutássemos as rotinas que fingimos cumprir rigorosamente em fragmentos de dor e suor. Essa seria a maior prova de auto-amor. De ego-tismo. Uma fusão do ego com erotismo. Não se confunda com egoísmo ou egocentrismo. Das quais me parece inevitável estabelecer uma dada confluência vocabular. Essa atitude de divinizar ideias e alguns momentos de êxtase só porque nunca mais se repetiram. Ou desprezar passagens irrisórias de um tempo inóspito que demora mais que o habitual a passar. Essa agrura dos dias de fio a pavio, estendidos em braços extensíveis que te apertam e sufocam numa bolha prestes mas todavia muito distante de rebentar. O que expulsar, o que criar para matar o bicho do tempo? Com ID's e CV's sem controlo de privacidade, com doses exponenciais de loucura e ainda alguma vaidade. Gostava sinceramente de arranjar tempo e um fotógrafo para concretizar grande parte dos editoriais que tenho planeados, mas que não saem da minha cabeça, tenho locais, ideias, as roupas, falta-me apenas o basilar, alguém que me capture as fotografias. O mundo é tão exorbitante e tanto mais deprimente.

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